Entrego sem veemência meu corpo cáustico, minha falsa liberdade de mulher independente, minhas idéias e visões sobre seu fogo bruto e límpido: sou sua. Já não mantenho minha segurança em estar sozinha, servir somente a mim e basta, minhas poucas e profundas vontades – precipito todas as noites, no céu, no chão, espero que me aches. Que me retire desse estado, dessa lentidão, e não sei se ouve. Nem se espera. Não sei de nada. Toda minha compreensão se mostra insuficiente para te envolver, te entender, te suprir – e, igualmente, me envolver, me entender e me suprir, já não me basto. Seu delito foi ter me provado. Aflita. Sou dividida, tua e minha, do mundo inteiro que me chama e me deseja, mundo novo e atroz que me tenta. Preciso recorrer a quem? Ou o quê. Preciso de distinção e sutileza, de um novo toque. Mas é o seu toque que me inflama, somente o seu que eu volto e busco, que me perco longe sem me achar inteira, me fragmento. E me acolhe. Sem demora ou hesitação, decido que sou seu objeto e seu amparo. Marginalmente entregue a força de ser mulher, a presente divisa da consciência – indecisão e firmeza -, para que corro e me atenho: você.
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
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