quinta-feira, 19 de junho de 2008

às vezes tudo o que se mais quer é ficar sozinho. até que chega um dia e você finalmente consegue.

que sensação boa!

você vai até o mercado e compra todas as besteiras que tem vontade de comer e beber - 40% da compra é cerveja e os outros 60% congelados de todos os tipos - dorme mais tarde do que o normal, inunda o banheiro na hora do banho, esquece a toalha por lá...

fui até a cozinha para fumar o meu último cigarro do dia. olho pela janela: que lua do caralho! - fazia tempo que eu não a via tão linda na são paulo cinza. sorrio.

um trago, solto a fumaça, olho para o lado. o sofá está vazio, a televisão está desligada e o cheiro no ambiente é do meu cigarro, e não do seu charuto.

era, enfim, o silêncio que eu tanto queria.

uma, duas, um monte de lágrimas.

pela primeira vez senti falta da tv ligada no último volume, que não me deixa dormir e me deixa puta da vida, do cheiro de charuto que eu detesto e do 'boa noite, filha, durma com os anjos'. e nem se passaram 24 horas ainda. mas como você me faz falta, pai.

amanhã cedo ninguém vai abrir uma frestinha da porta do meu quarto só para me desejar um bom dia. ninguém vai reclamar da roupa que eu deixei no chão por pura preguiça. nem do lixo da cozinha que eu acabei de lembrar que não levei lá pra fora.


agora não me resta outra alternativa, senão torcer pra esses dias passarem rápido. não que eu não queira mais o meu silêncio, essa solidãozinha boa, as cervejas e todo o junkie food, dormir tarde, molhar o banheiro todo. mas mais do que tudo isso, eu quero você do meu lado.

mas eu vou ficar bem e tentar aproveitar o quanto puder. porque sei que você está feliz e esse seu sorriso lindo não deve ter saído do seu rosto por um minuto sequer.

que esses sejam os melhores dias da sua vida, meu príncipe.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu te odeio por ser 22h42, eu ter ACABADO de pintar os olhos pra sair e você ter eu feito borrar toda a maquiagem com as lágrimas.

Hoje à tarde eu pensei nisso tudo, exatamente desse jeito, e me deu uma vontade enorme de ligar pra ele, "tens filha???", tal como ele faz quando eu sumo (mas eu não quis ser chata e atrapalhar). E eu percebi que eu não ligava pra ele pra falar nada há muito tempo. E conclui que, realmente, a gente só dá valor pras coisas quando elas não estão aqui. Como o cheiro do charuto.

 
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